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A História do Barreado e como tornou-se um prato típico do Paraná

Morretes, uma cidade repleta de encantos que tem o famoso Barreado como sua iguaria mais conhecida. Um dos pratos mais típicos do litoral do Paraná, a história do Barreado tem muitas versões e já foi motivo de discussões saudáveis entre Morretentes, Parnaguaras e Capelistas (Antonina) acerca de sua paternidade. Existe um consenso que o Barreado é preparado e degustado há centenas de anos no litoral paranaense e está associado à festas, fartura e alegria.

A receita e o preparo do Barreado consiste em: um ou mais tipos de carne bovina de segunda e magra, como a paleta, a maminha e o patinho, temperados com cebola, alho, toucinho de porco, pimenta-do-reino, louro e cominho e cozida por horas em uma panela de barro até desmanchar. O preparo é misturado à farinha de mandioca (até receber a consistência que dá nome ao prato), e servida com arroz e banana-da-terra fatiada.

A História do Barreado e o Carnaval

A origem da fama do prato tem muitas versões – uma delas é a de que era um prato famoso entre os tropeiros. Muitos não acreditam nessa origem, já que fazer o Barreado exige tempo e o preparo é feito em panelões de barro – algo que dificultaria o transporte.

Enfim, existe muita polêmica sobre como o Barreado conquistou os moradores do Litoral Paranaense. Nós do Empório do Largo gostamos e acreditamos na história do Barreado que se relaciona ao Entrudo, tradição que deu origem ao Carnaval. Afinal, é bem mais divertida e tem mais aceitação entre os historiadores!

A receita do Barreado é muito simples e ao mesmo tempo exótica, que surgiu entre os caboclos das encostas da Serra do Mar, no litoral do Paraná, ainda no período colonial, e, com o tempo, acabou associado às festas que antecediam a quaresma, o chamado Entrudo.

Trazido pelos portugueses, Entrudo significava introduzir, começar, anunciar a aproximação da quaresma. Era uma tradição muito antiga, com suas primeiras referências em Portugal datadas de 1252.

O Entrudo era festejado durante três dias com muitas brincadeiras. Por exemplo: pessoas jogavam uma nas outras farelos de pão ou polvilho, bacias de água, frutas e até mesmo terra. Era uma farra intensa que necessitava de um alimento que garantisse muita energia para encarar as “brincadeiras” que facilmente acabavam em confusão.

E o Barreado supria, e ainda supre, muito bem esse objetivo e necessidade. Carne + arroz + farinha de mandioca + banana = energia de sobra, não é mesmo?

As características da receita tornaram o prato ideal para ocasião – três dias em que as pessoas não faziam outra coisa senão dançar o fandango e comer, e não precisavam se preocupar com a cozinha: demandava poucos ingredientes, sendo relativamente barato; era fácil de ser feito e podia ser preparado com antecedência; conservava-se por um bom período de tempo e, mesmo requentado, não perdia o sabor original.

Além disso, por tratar-se de uma receita altamente calórica, o Barreado era, também, ideal para dar energia aos foliões. Diz a lenda que os caboclos dançavam dia e noite durante toda a festa sem se deixar abater pelo cansaço. Quando não aguentavam mais, comiam Barreado acompanhado de farinha de mandioca seca e voltavam à farra ainda mais animados. A bebida pouco fazia efeito frente à energia que obtinham quando se alimentavam de Barreado.

Com o tempo, o Barreado foi tomando mais fama e passou a fazer parte da cultura paranaense não apenas durante o Entrudo/Carnaval, e a procura pelo barreado no litoral desenvolveu o turismo gastronômico em Morretes.

Venha para o Empório do Largo para experimentar e apreciar esse prato que preenche de sabor e aroma o nosso litoral.

Texto baseado no artigo científico de  Maria Henriqueta Sperandio Garcia Gimenes BARREADO: SABOR, HISTÓRIA E CULTURANO LITORAL PARANAENSE.

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